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Novas Gerações

  • Foto do escritor: João Monteiro
    João Monteiro
  • 18 de mai. de 2020
  • 4 min de leitura

Artigo publicado a 18 de maio de 2020 na Intergráficas - Revista 


Este ano a Grafopel foi mais uma vez patrocinador das Printalks 2019. Foi-nos proposto a escolha de um assunto a apresentar e dentro do tema impressão inteligente. Poderíamos ter apresentado várias das nossas soluções, como o software Prinect da Heidelberg (software mais desenvolvido do mercado) e como pode tornar uma gráfica mais inteligente; ou então os benefícios de ter um programa de assistência técnica preventiva em que, com as ferramentas disponibilizadas pela Heidelberg, conseguimos prever e antecipar as avarias, tornando assim a máquina de impressão mais eficaz e produtiva. No fundo poderíamos falar dos vários equipamentos que dispomos, que bem aproveitados fariam qualquer gráfica imprimir melhor e de forma mais inteligente.

No entanto optamos por outro caminho. Acreditamos que podemos ter a melhor tecnologia e as melhores soluções, mas se não tivermos as pessoas e a estrutura bem preparada para esta evolução tecnológica, nunca iremos tirar o proveito necessário.

 

Decidimos criar um debate sobre a entrada das novas gerações nas empresas. O mercado evoluiu, a tecnologia também e é importante que as empresas evoluam com elas. Convidamos Paulo Lessa, da Tipografia Lessa, Daniel Furet, da Lidergraf e Nuno Monteiro, da Blueprint (empresa de consumíveis químicos da Heidelberg) para um debate, moderado pela Ana Paula, sobre “As novas gerações e a forma como olham para a indústria gráfica no presente e no futuro.” Eu representei a Grafopel neste painel.

Quisemos perceber a sua importância dentro das suas empresas, o seu “mindset”, os seus objetivos, as suas dificuldades e quais os grandes desafios no futuro.

 

Estarão as empresas preparadas para receber as novas gerações? 

O primeiro ponto discutido foi o confronto geracional que existe. Como se recebem as novas gerações nas empresas e a sua dificuldade em receber um novo “mindset”, uma nova forma de fazer as coisas e uma nova abordagem para os vários problemas. Questionaram-me como era entrar numa empresa de família e como via este problema. O problema existe quer seja numa empresa familiar ou não, simplesmente numa empresa de família sente-se mais estas dores dada a confiança entre todos os membros. Na minha opinião cabe aos bons gestores das empresas, familiares ou não, aproveitar a irreverência das novas gerações, a sua juventude para refrescar a empresa, apoiando tanto no seu sucesso como nos seus erros. O mercado está em constante mutação e evolução, e quando as pessoas vão envelhecendo vão deixando de estar preparadas e a par desta constante mudança. É exatamente por isso que em muitas empresas existe uma idade máxima até à saída dos seus administradores, e muitas delas têm administrações compostas por membros de diferentes gerações a trabalharem como iguais. É crucial haver esta relação entre os cabelos brancos e a irreverência dos jovens.

 

A indústria gráfica é atrativa para as novas gerações?

Outro ponto em discussão foi a atratividade desta indústria para os jovens. Estamos numa indústria que tem sofrido várias mutações nos últimos anos. Um dos mais importantes, referido pelo Daniel, foi deixar de ser uma arte para ser uma indústria. E pegando neste ponto, temos de perceber que a opinião geral sobre este mercado, de quem não o conhece, é que é velho e está ultrapassado. No entanto, somos uma indústria com altos níveis de inovação e de desenvolvimento tecnológico. Cabe às empresas estarem preparadas para inovarem e adaptarem processos internamente (com novas gerações que estão melhor preparadas), e depois promover o que realmente se faz nas escolas e nas universidades. Temos que tornar esta indústria numa indústria “sexy” para que os jovens queiram fazer parte dela. E é aqui que tanto as empresas como as associações têm um papel muito importante.

 

As novas gerações têm a formação necessária?

O último ponto, que esteve mais em voga ocupando mais tempo do debate, foi o da Educação/Formação. Todos sem exceção, tanto no painel como no público, identificaram este tema como um dos grandes problemas nos dias de hoje. Primeiro, as formações existentes em Portugal são fracas e não preparam as pessoas para o mercado de trabalho. Temos, também, a associação que tem vindo a desenvolver ações de formação juntamente com os associados, mas ainda há margem para explorar novos caminhos nesta área. Por último, tivemos mais do que uma pessoa do público a falar sobre o problema da sociedade em geral, que está feita para Doutores e não está preparada para formar pessoas para o trabalho industrial.

A verdade é que ninguém está fora da razão quando utiliza um ou mais destes pontos para criticar a formação gráfica em Portugal, no entanto na minha opinião pessoal, e disse-o no debate, cabe às empresas darem esse passo. Criarem programas internos de formação, com estágios curriculares e profissionais e preparem essas pessoas para o mercado de trabalho, quer as pessoas fiquem ou não. Dei o exemplo da Bastarda, a minha antiga agência de marketing e comunicação, em que as pessoas que entravam não vinham de todo preparadas para trabalhar. Criámos a “Academia Bastarda” com um programa de três meses em que os formandos passavam por várias funções da empresa. Em 4 programas passaram por nós mais de 50 pessoas. Dessas 50, 10 juntaram-se aos quadros da empresa e, hoje, ainda lá estão. O Daniel deu, também, o exemplo da Lidergraf e reforçou o programa interno de formação que implementaram, onde estão constantemente a formar pessoas. Se todos trabalharmos em conjunto, neste ponto, vamos ter mais pessoas a conhecer e a saber trabalhar na nossa indústria. Tem que ser um trabalho conjunto.

 

Em jeito de conclusão, é importante que as empresas estejam em constante mutação e adaptação. Nos últimos 25 anos vivemos uma revolução tecnológica e digital. Em 1995 poucas eram as pessoas que tinham telemóvel, hoje o telemóvel substitui um computador, um correio, um gps, uma calculadora... Esta evolução é muito rápida e temos que saber adaptar-nos a ela. Temos, enquanto empresas, saber que caminhamos para um mundo cada vez mais digital e se não nos prepararmos para isso não podemos esperar um futuro positivo. É fundamental sermos proactivos e não reativos à mudança. Para isto precisamos das novas gerações. São elas que vão dar às empresas a proactividade necessária que as vai manter na linha da frente, e não andar sempre a correr atrás do prejuízo.

 

Já Einstein dizia: “Loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual.”






 
 
 

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